terça-feira, 20 de junho de 2006

Zé Ramalho [1978] Zé Ramalho [ed.2003-bônus]



Intérprete: Zé Ramalho
Álbum: Zé Ramalho
Ano: 1978
Selo/Gravadora: Epic/CBS
Nº de catálogo: 144231


sítio oficial

Apresentação
Zé Ramalho

Este é o meu primeiro disco. O disco de estréia. Veio cheio de misticismo e idéias. Trouxe um linguajar diferente do usual. Através da mensagem do "Avôhai", música que abre o disco, com a participação de Patrick Moraz, tecladista do grupo inglês YES! Além de "Avôhai", traz "Vila do Sossego" e "Chão de Giz", músicas que viraram clássicos da M.P.B. com várias regravações de outros artistas. É o disco da chegada, transpondo a soleira do alcance musical. É um disco que nunca saiu de cartaz. Me orgulho dele e do seu tempo. Foi o início de tudo. Tudo começa com "Avôhai".

Texto da reedição, 2003
Marcelo Fróes

Nascido em Brejo do Cruz (PB) a 03/10/49, José Ramalho Neto passou a infância com o avô em Campina Grande e descobriu o rock’n’roll e o iê-lê-iê vivendo a adolescência em João Pessoa, ouvindo tanto a Jovem Guarda quanto os discos dos Beatles e de seus contemporâneos. Na virada dos anos 70, Zé Ramalho foi membro do grupo The Gentlemen, que gravou um álbum pela Rozenblit, mesma gravadora pernambucana por onde o lendário álbum duplo "Paêbirú" foi gravado, em parceria com Lula Côrtes no final de 1974, com participações de Alceu Valença, Zé da Flauta e outros.
Zé Ramalho da Paraíba, como chegou ao Rio em muitas idas e vindas, acompanhou Alceu Valença e chamou atenção. Resolveu estabelecer-se definitivamente na cidade após o carnaval de 1976, disposto a nunca mais voltar para o Nordeste. Aquela altura, já havia composto Avôhai, Vila do Sossego, Chão de Giz e A Dança das Borboletas, e depois de conhecer o produtor Carlos Alberto Sion no pier de Ipanema, entrou no estúdio da Phonogram para gravar uma demo. Não foi aceito, mas passou o ano visitando a RCA, a EMI-Odeon e a Som Livre, que também não se interessaram. O diretor de TV Augusto César Vanucci tornou-se fã e mostrou Avôhai à então esposa Vanusa, que decidiu gravar a música em São Paulo, com Zê ao violão.
Já perto daquele ano de 1976, Raimundo Fagner deu seu aval junto à diretoria da CBS - chamando atenção para o trabalho do amigo, o que fez com que o diretor artístico Jairo Pires se encantasse ao ouvir Avôhai. Imediatamente contratado no início de 1977, Zé Ramalho respirou aliviado e passou o ano fazendo shows no Rio. Uma versão de Avôhai chegou a ser registrada num estúdio de rádio, para que entrasse imediatamente na programação. Este primeiro disco solo de Zé Ramalho foi gravado em 8 canais no estúdio da CBS em novembro de 1977.
Todos os músicos tocaram de graça, animados com a oportunidade alcançada pelo cantor e compositor paraibano, inclusive o tecladista inglês Patrick Moraz, que estava gravando um álbum solo no Rio de Janeiro.
As bases foram gravadas com poucos músicos, tendo Zé até mesmo, usado apenas percussão e não bateria neste trabalho semi-acústico de incrível qualidade sonora. Também na parte eletrificada, o ex-Mutantes Sérgio Dias sensibilizou tanto por sua participação que ganhou três dos oito canais para seu apoteótico solo de guitarra em A Dança das Borboletas. Ninguém percebeu na ocasião que a fita estava chegando ao fim, e é por isso esta faixa encerra o primeiro lado do disco daquela forma.
Como o artista continuava morando num quarto alugado na Glória, a CBS decidiu hospedá-lo no Hotel Plaza de Copacabana para que fizesse o trabalho de divulgação com mais conforto. O disco teve ótima repercussão e o artista aproveitava para distribuir seu livrinho de cordel Apocalypse na entrada de seus shows. Zé Ramalho sentiu que a "coisa estava começando a acontecer" em meados de 1978, quando recebeu o primeiro dinheiro proveniente da execução pública de suas músicas.

janeiro, 2003



Ficha Técnica
Direção Artística: Jairo Pires
Direção de Produção: Carlos Alberto Sion
Arranjos de base: Zé Ramalho
Arranjos de cordas e côro: Paulo Machado
Dirigido por: Manoel Magalhães
Técnicos de gravação: Manoel Magalhães e Eugenio de Carvalho
Técnico de Mixagem: Eugenio de Carvalho

Gravado e mixado nos Estúdios/CBS - 8 canais
Rio de Janeiro - Novembro/Dezembro 1977

Arregimentador: Gilson de Freitas
Capa/Fotos/Programação Visual: Mario Luiz Thompson
Logotipo: Ciro Fernandes
Montagem: Carol Joan Astbury

Agradecimentos Especiais:
Hildebrando - Zé Mariano - Luiz Alphonsus
Lygia Itiberê da Cunha - Roberto Talma
Luiz Carlos Guides - Augusto Cesar Vanucci

Desenvolvimento de arte: Carlos Enrique M. de Lacerda
Direção de arte: Géu


Reedição (2003) produzida por Morcelo Fróes
Coordenação geral: Joselha Teles
Gerência de marketing estratégico: Mylla Vieira
Adaptação gráfica: Telma Ribeiro
Escaneamento e tratamento de imagens: Lêka Coutinho (L&A Studio)
Coordenação gráfica: Daniela Conolly
Agradecimentos: Zé Ramalho, Roberta Ramalho, Lívia Carvalho, Marcos Fabrício, Alexandre Schiavo, José Soares, Cláudia Boechat, Adriana Vendramini, Maria Consuelo e Otto Guerra

Copiei a lista de faixas do encarte do vinil, com os respectivos músicos. Porém, devido a algumas manchas pretas na foto do fundo (uma parede de barro) não foi possível determinar alguns nomes e instrumentos que deixei com um asterisco. Procurei pela rede e não encontrei nenhuma informação; se algum leitor tiver, por favor envie para o e-mail do blog.

1. Avôhai
(Zé Ramalho)
Oberheim & Ar* Odissey: Patrick Moraz
Viola 12 cordas: Ivson Wanderley
Percussões: Chico Batera
Baixo: Chico Julien
Violão Folk & Viola 1o cordas: Zé Ramalho
2. Vila do Sossêgo
(Zé Ramalho)
Percussão: Chico Batera
Viola 10 cordas: Pedro Osmar
Órgão Hammond: Paulinho Machado
Baixo elétrico: Chico Julien
Violão ovation: Zé Ramalho
Côro: Zé Ramalho, Elba Ramalho, Luiza Maria, Diana Pereira, Terezinha de Jesus, Liz* Bravo
Cordas:
Violinos: *Gian Carlos P*, Alfredo Vidal
Viola: * Figueiredo Penteado
Cello: Alceu * Reis

3. Chão de Giz
(Zé Ramalho)
Violão ovation: Zé Ramalho
Baixo Elétrico: Chico Julien
Tricórdio: Lula Côrtes
Piano: Paulinho Machado
Côro: Elba Ramalho, Luiza Maria, Terezinha de Jesus, Diana Pereira, Liz* Bravo
4. Noite Preta
(Zé Ramalho / Lula Cortes / Alceu Valença)
Sanfona: Dominguinhos
Zabumba: Bezerra da Silva
Baixo Elétrico: Chico Julien
Tricórdio Elétrico: Lula Côrtes
Triângulo: Kátia de França
Violão * & Viola 10 cordas: Zé Ramalho

5. Dança das Borboletas
(Zé Ramalho / Alceu Valença)
Guitarras & Pedais eletrônicos: Sérgio Dias
Tímpanos, Percussões & Efeitos: Chico Batera
Baixo Elétrico: Chico Julien
Viola 10 cordas: Pedro Osmar
Violão ovation: Zé Ramalho

6. Bicho de 7 Cabeças
(Zé Ramalho / Geraldo Azevedo)
Violão ovation: Geraldo Azevedo
Viola 10 cordas: Zé Ramalho
Violão 7 cordas: Arnaldo Brandão
Zabumba, Ganzá & Pandeiro: Bezerra da Silva
Título da música: Renato Rocha
7. Adeus 2ª Feira Cinzenta
(Zé Ramalho / Geraldo Azevedo)
Flauta: Altamiro Carrilho
Violão 7 cordas: Arnaldo Brandão
Viola 10 cordas & vocal: Pedro Osmar
Cavaquinho: Dav* T*
Pandeiro: Chico Batera
Violão ovation: Zé Ramalho

8. Meninas de Albarã
(Zé Ramalho)
Sax soprano: Paulo Moura
Violão Folk: Vinicius Cantuária
Baixo elétrico: Arnaldo Brandão
Percussão: Chico Batera
Guitarra elétrica: Paulo Raphael
Violão ovation: Zé Ramalho

9. Voa Voa
(Zé Ramalho)
Sanfona: Kátia França
Zabumba: Bezerra da Silva
Tricórdio: Lula Côrtes
Baixo Elétrico: Chico Julien
1ª Flauta: Lourenço Baêta
2ª Flauta: Oswaldo Garcia
Violão ovation & triângulo: Zé Ramalho

6 comentários:

Luis disse...

Este disco é muito bom, e abriu a cabeça da juventude da época para um som mais "lisérgico" A gurizada comentava muito aquele novo tipo de som, e o "novo bob dylan" continuou a fazer a cabeça da gurizada por muito tempo. Zé Ramalho era item obrigatório em qualquer discoteca. Chelgou a nivel de Milton e Caetano rapidamente, por mérito de suas canções. Grande Post.

Zelal disse...

Salve Grande Vinicius. Este seu Blog é imperdivelmente basico para o dia a dia, sempre para ver qual é a perola com otima info que vai aparecer. Vivi muito disso que está postado, vi Alceu, Secos e Molhados , Mutantes com e sem Rita, Novos Baianos, Caetano etc e apesar de ainda ter alguns dos discos tou matando uma saudade arretada aqui.Grande blog, otimo trabalho.Valeu.

kalinissima disse...

Sou professora de Literatura e sempre que as equipes se reúnem para escolher um Trovador brasileiro para destaque, apontam o Chico Buarque. Não que eu tenha algo contra o Chico, mas este ano contrariei toda a equipe: trabalhei as canções de Zé Ramalho, cheias de símbolos, métrica trovadoresca... Cada dia, passo a admirá-lo mais ainda. E no dia em que ele esteve em Natal-RN? Nossa, ele encarnou um profeta ao cantar "eternas ondas". Nunca fui beata, mas senti algo que mexeu muito comigo: a combinação do som, as expressões dele, a precisão... Ele extrapola o conceito literário de trovador!!!

priscilladavanzo disse...

Adoro a viola de 10 cordas de Pedro Osmar!

Anônimo disse...

Aqui está o link para download do CD Zé Ramalho (1978) Edição 2003 Remasterizada e com bônus.

Link:
http://migre.me/eiZs

Anônimo disse...

Andei visitando o blog e vi que o link para download do CD Zé Ramalho (1978) havia expirado. Como se trata de uma preciosidade e que já está fora de catálogo, resolvi ripar do meu CD original e compatilhar com o seu blog:

Zé Ramalho (1978) [Edição Remasterizada 2003 com Bônus]

01. Avôhai
02. Vila do Sossego
03. Chão de Giz
04. A Noite Preta
05. A Dança das Borboletas
06. Bicho de 7 Cabeças
07. Adeus Segunda-Feira Cinzenta
08. Meninas de Albarã
09. Voa, Voa
10. Avôhai (Voz e Violão)
11. Chão de Giz (Voz e Violão)
12. Bicho de 7 Cabeças (Voz e Violão)
13. Vila do Sossego (Voz e Violão)
14. Rato do Porto (Voz e Violão)
Link:
http://www.4shared.com/file/173857662/fd0e286b/Z_Ramalho__1978_.html